As nove ilhas dos Açores encontram-se situadas numa faixa de latitude correspondente à metade sul do território continental, aproximadamente entre os paralelos 37° e 40° N. A longitude varia entre 25° e 31° O. A distancia que separa as duas ilhas mais afastadas, Santa Maria e Corvo, é de 600 km, enquanto Lisboa está a Isco km da maior cidade açoriana— Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel. Esta última é também a maior das nove, com 757 km^2 de superfície; a menor, a do Corvo, não vai além de 17 km^2.
As ilhas, tal como as do arquipélago da Madeira, são de origem vulcânica. Também se encontram nelas extensos aforamentos de rochas basálticas e indícios semelhantes no que respeita a cronologia das primeiras erupções: sedimentos do Miocénico Médio intercalados entre materiais vulcânicos (Santa Maria, ilhéu das Formigas); a certeza de que algumas ilhas (ou, melhor, partes de algumas ilhas) já existiriam então, e a probabilidade de que o processo se terá iniciado mais cedo, na passagem do Cretácico para o Cenozóico, altura de grande actividade eruptiva na sucessão dos tempos geológicos, de que há também testemunhos no continente.
No caso dos Açores, as erupções continuaram até aos nossos dias. Por outro lado, o arquipélago açoriano está implantado na crista central do Atlântico, que a norte tem orientação norte-sul e inflecte, a sul, para sudoeste. Vêm ter aqui ramificações de uma grande fractura que se pode fazer prolongar até ao estreito de Gibraltar e se liga à faixa instável do Mediterrâneo; essas ramificações interrompem a continuidade da referida crista central do Atlântico e segundo elas estão alinhadas as ilhas, o que é expressivamente demonstrado no caso de S. Jorge. As modernas concepções da tectónica de placas permitem deduzir, mais concretamente, que os Açores se situam no ponto de encontro de três das grandes placas do Globo: a americana, a oeste da crista central do Atlântico, fragmentada nesta zona, como se disse, e, a leste, a placa europeia, a norte da faixa instável que vai ter aos Alpes, e a africana, a sul da mesma faixa. É assim uma área muito sensível, o que explica a frequência de abalos sísmicos.
De um modo geral, as formas de relevo vulcânico são muito mais frescas e nítidas nos Açores que na Madeira. Aparecem com frequência grandes cones, em cujos cimos se deram abatimentos que alargaram consideravelmente as suas crateras, originando as chamadas caldeiras. Estas são denominadas assim correntemente em muitas das ilhas, e a designação entrou na terminologia científica; contudo, em S. Miguel aplica-se às manifestações secundários de vulcanismo, particularmente importantes na área das Fumas. Conhece-se uma dúzia destas formas nos Açores, algumas muito nítidas, mesmo aos olhos de qualquer leigo, como a do Faial e a das Sete Cidades, em S. Miguel (esta, famosa pela bela lagoa que tem no fundo, azulada no sector mais largo e verde no de menores dimensões), e outras já desgastadas pela erosão, o que acontece na serra do Cume (Terceira) e na área da Povoação (S. Miguel). O enorme cone do Pico, que sobe a 2351 m, mantém a sua cratera, que ainda não se transformou em caldeira. S. Jorge corresponde, no seu conjunto, a uma forma diferente, um vulcão linear, enorme dorso sublinhado por alinhamentos de pequenos cones. Estes alinhamentos também se encontram dispostos em plataformas de baixa altitude, como a de Ponta Delgada, em S. Miguel, e a que forma o Noroeste da Graciosa, e há igualmente planaltos de lava, a que se dá o nome de achadas. Se exceptuarmos estes retalhos onde as formas se tornam menos movimentadas, o relevo é quase sempre acidentado, com profundas ravinas e litoral muitas vezes de arriba.
